A feira

Esse projeto de música e gastronomia, realça a força do matriarcado nessa região.
Diferente do que a sociedade ocidental sempre mostrou, em que o homem é o centro do mundo, em comunidades tradicionais se percebe a fortaleza do modelo do matriarcado.
A região da grande Madureira tem, com singularidade, a manutenção de uma herança de um Rio de Janeiro rural, dentro dos dias de hoje. Essa região é a mais rica de bens culturais imateriais do país! A preservação e recriação desses bens culturais, se deu através da forma de base matriarcal de viver.
São inúmeras as famílias comandadas por mulheres e as maiores referências de lideranças locais, foram exercidas pelas mesmas. Essas matriarcas atravessaram as barreiras do parentesco sanguíneo; eram tias de todos, ou seja, um conceito de Mãe, ampliado.

Aqui, algumas dessas “Mães de Todos” famosas de nossa região:
D. Ester, Tia Vicentina, D. Neném do Bambuzal, Tia Doca, Tia Eunice e Tia Surica, entre várias outras. Considerado pelo portal Gl, como umas das ”1 O coisas mais cariocas”, o Projeto Feira das Yabas, retrata , bem o poder matriarcal, no Samba. E um projeto de música (samba) com o viés na culinária. Daí se tornaria lactente, se fizéssemos a pergunta: “quem seria Tia Cisto se não fosse o Samba?” Mas, ao mesmo tempo, precisou-se de sua benção e seu provir para que os alicerces do samba, se firmassem.

A Feira das Yabas é uma espécie de oxigenação das memórias locais, tornando viva toda nossa i materialidade cultural; nossa grande riqueza!
Além disso, todo o comércio local é oxigenado, juntamente, com a memória coletiva. O projeto cria, diretamente, 350 oportunidades de trabalho e mais algumas centenas de postos indiretos.

A Feira das Yabás, que reúne um mínimo de 4mil pessoas por edição, chegando à 10 mil pessoas em algumas edições, realizada no bairro de Oswaldo Cruz, berço do Samba carioca, está pautada em mergulhar numa tradição “submersa” pela forma hegemônica de viver em nossa cidade, recriando os velhos mascates e ”baianas”, vendendo comida.

A Feira das Yabás recolocou a culinária negra carioca no mapa cultural de nossas memórias. Com a roda de samba mais tradicional possível, comandada por Marquinhos de Oswaldo Cruz faz, praticamente, , renascer o miudinho carioca e o partido alto. E a roda de samba como tem que ser, com a participação direta do povo. A Feira das Yabás recriou na rua, os quintais das matriarcas, religiosas ou não, que embalaram o mais conhecido gênero musical brasileiro: O SAMBA.

Na história da humanidade foi a “Cidade Maravilhosa”, a que mais recebeu  negros escravos. Sendo assim, faz-se a pergunta que não quer “calar”: onde  estão os negros do Rio de Janeiro?

Hoje é comum na fala de todos, exaltarmos a grande Madureira, como a Harlem Carioca. Mas vivendo os tempos da mundialização, onde costumes e  culturas são aniquilados e uniformizados, aos moldes da “cultura” hegemônica  mundial, percebemos que não basta apontar lugares, sem que possamos  exercer suas memórias originárias.

Nos dias em que antecediam o aniversário de 450 anos do Rio de Janeiro, um dos maiores portais da comunicação do país apontava em seu site as 1 O atividades que mais identificavam o “jeito carioca”. Incluídos entre Maracanã,  Sambódromo, Cristo Redentor, estavam Trem do Samba e Feira das Yabás.

Mais do que um Evento, “que voa como o vento”, as celebrações (podemos  assim chamar), recriadas (ou criadas) pelo sambista Marquinhos de Oswaldo  Cruz se pautam na cultura (memória) dessas populações, criando um ambiente  propício ao reencontro com a identidade.